Golpe do PIX: o que fazer para desbloquear a conta e retirar o alerta de fraude

Se o banco bloqueou sua conta ou incluiu seu CPF em um alerta de fraude após um golpe do PIX, registre o ocorrido, conteste por escrito e descubra se existe ordem judicial. Não espere apenas o gerente resolver: você precisa criar provas desde o primeiro contato.

Registre o boletim de ocorrência com os detalhes da transação

Faça o BO no site da Polícia Civil do seu estado ou em uma delegacia. Informe data, horário, valor, chave ou conta de destino, nome usado pelo golpista e a forma de abordagem.

João, por exemplo, transferiu R$ 7.500,00 para uma conta indicada por um suposto consultor de investimentos. No BO, ele descreveu a conversa, juntou o comprovante e identificou a conta de destino. Esses documentos ajudaram a demonstrar que ele havia sido enganado, e não participado da fraude.

Peça ao banco o desbloqueio e a retirada da classificação

Use o aplicativo, o e-mail oficial, o SAC e a Ouvidoria para enviar uma solicitação que gere protocolo. Peça resposta escrita e cópia da justificativa técnica do bloqueio ou do alerta.

Você pode adaptar este texto:

“Fui vítima de golpe do PIX em [data], no valor de R$ [valor], conforme BO nº [número]. Solicito a retirada da classificação de fraude vinculada ao meu CPF e à minha conta, o desbloqueio dos serviços de pagamento e a justificativa escrita para eventual restrição. A manutenção do bloqueio tem impedido [recebimento de salário/pagamento de despesas/funcionamento da empresa].”

Escale a reclamação pelos canais corretos

Se sua conta recebe salário ou paga despesas essenciais, explique isso e peça análise urgente. Não use apenas a frase “minha conta está bloqueada”: informe o prejuízo concreto, como uma parcela de aluguel de R$ 1.800,00 vencendo ou a impossibilidade de comprar medicamentos.

Verifique se o bloqueio foi feito pelo SISBAJUD

A mensagem “bloqueio judicial” indica situação diferente de uma restrição interna do banco. Nesse caso, peça o número do processo e procure advogado para analisar a origem da cobrança.

Se o valor bloqueado for salário, aposentadoria ou outra verba essencial, será necessário comprovar a origem do dinheiro e pedir o desbloqueio ao juízo. Veja também o passo a passo sobre como pedir desbloqueio SISBAJUD quando o valor é salário.

Quando não existe processo, o bloqueio é interno. Ainda assim, o banco deve informar o motivo da restrição e reavaliar o caso. Uma suspeita genérica não prova que você participou da fraude.

Como contestar o alerta de fraude no SERASA, SPC/SCPC e Boa Vista

O alerta pode aparecer em um cadastro de crédito ou permanecer apenas nos sistemas internos do banco. Por isso, conteste os dois lados: a instituição que forneceu a informação e o cadastro que a exibiu.

Envie a contestação ao cadastro que mostrou a restrição

Use os canais oficiais do SERASA, SPC/SCPC e Boa Vista. Anexe documento de identificação, BO, comprovantes bancários, prints e protocolo da reclamação feita ao banco.

Peça a exclusão do registro e a informação sobre sua origem. Um texto possível é: “Contesto o registro de fraude vinculado ao meu CPF. Sou vítima de golpe do PIX, conforme BO nº [número]. Solicito a exclusão do apontamento e o envio da origem e do conteúdo da informação registrada.”

Se o cadastro não corrigir a informação, guarde a resposta ou a ausência dela. Esse histórico será útil para demonstrar que você tentou resolver o problema antes da ação judicial.

Exija que o banco corrija a informação

Informe ao banco o número do registro, se o cadastro fornecê-lo, e peça a comunicação formal da correção ao SERASA, SPC/SCPC ou Boa Vista. Solicite que a instituição demonstre por que vinculou seu CPF à fraude.

Uma notificação extrajudicial pode fixar prazo de 48 a 72 horas, especialmente quando já houve recusa de crédito, bloqueio de cartão ou impossibilidade de movimentar a conta. Descreva o dano: financiamento recusado, fornecedor que exigiu pagamento à vista ou conta vencida por falta de acesso ao dinheiro.

Quais documentos comprovam que você foi vítima

Organize os arquivos por data. Um PDF com extrato, comprovante do PIX, conversa e protocolo costuma ser mais útil do que dezenas de capturas de tela sem identificação.

Documentos da operação bancária

Provas da abordagem do golpista

Provas da contestação e do prejuízo

Se a fraude depender de uma análise técnica, o advogado pode avaliar pedido de perícia ou de apresentação dos registros eletrônicos do banco.

Quando a ação judicial pode pedir liminar e indenização

Se o banco e os cadastros mantiverem o alerta mesmo depois da contestação, o advogado pode propor ação de obrigação de fazer com pedido de tutela de urgência. A liminar deve mostrar dois pontos: documentos que indiquem a fraude e risco concreto de dano.

Também podem ser pedidos danos materiais, como juros de contas atrasadas, e danos morais, dependendo da extensão da restrição e das provas. A negativa de crédito precisa ser documentada; um relato sem comprovante deixa a discussão mais fraca.

O Juizado Especial Cível pode ser uma opção para causas de até 40 salários mínimos. A necessidade de advogado varia conforme o valor e a etapa do processo, e as custas dependem das regras aplicáveis ao tribunal.

O que não fazer depois do bloqueio

Não fique apenas no telefone

A ligação pode ser útil para obter orientação, mas não substitui protocolo, e-mail ou mensagem registrada. Depois de falar com a central, envie uma confirmação escrita com data, horário e número do atendimento.

Não faça um BO superficial

Descreva como o golpista se apresentou, quais instruções deu, por que você acreditou na abordagem e como percebeu o golpe. Em uma falsa central, por exemplo, informe se pediram instalação de aplicativo, compartilhamento de tela ou confirmação de códigos.

Não conteste só com o banco

Se o alerta aparece no SERASA, SPC/SCPC ou Boa Vista, abra reclamação também no cadastro correspondente. A revisão interna do banco não garante a retirada automática da informação externa.

Como reduzir o risco de outro golpe

Guarde BO, comprovantes, protocolos e decisões judiciais em uma pasta digital. Se o banco não resolver em 48 a 72 horas e sua conta continuar impedindo o pagamento de despesas essenciais, leve esse conjunto a um advogado para avaliar o pedido de desbloqueio e a retirada do alerta.

Medida Prazo ideal
Registro do BO Assim que identificar o golpe
Pedido escrito ao banco Imediato, com prazo de 48 a 72 horas para análise urgente
Contestação ao cadastro de crédito Assim que descobrir o alerta
Ação com pedido de liminar Quando persistirem o bloqueio ou o registro e houver prejuízo documentado

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Perguntas frequentes

Quanto tempo leva para excluir um registro de fraude no SERASA ou SPC?

Depende: cadastros respondem em prazos variáveis, mas costumam analisar em até 5 a 10 dias úteis após o envio completo da documentação. Se não houver resposta ou a exclusão for negada, junte as provas e procure advogado para medida judicial com pedido de tutela de urgência.

O BO é obrigatório para pedir desbloqueio e retirada do alerta?

Sim: o boletim de ocorrência é a peça central que comprova a condição de vítima e sustenta pedidos administrativos e judiciais. BO bem fundamentado, com comprovantes e protocolos, aumenta muito a chance de liberação sem litígio.

O banco pode manter o bloqueio mesmo sem processo judicial?

Sim — bancos podem bloquear internamente por suspeita de fraude, mas devem informar o motivo técnico. Se não houver processo, a medida é administrativa e pode ser contestada por protocolo, reclamação em órgãos e, se necessário, ação judicial.

Quando vale a pena pedir liminar para retirar o alerta e desbloquear a conta?

Peça liminar quando houver prova documental da fraude, prejuízo concreto (salário, aluguel, despesas essenciais) e recusa do banco/cadastros em resolver em prazo razoável. A liminar busca suspensão imediata do bloqueio e correção dos cadastros enquanto o mérito é julgado.

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