Conta PJ bloqueada por suspeita de fraude: o que fazer antes de uma cobrança mais grave

Se o banco bloqueou a conta da sua empresa, peça explicações por escrito nas próximas 24 a 48 horas. Não dependa apenas de conversa com o gerente: reúna provas, proteja os pagamentos essenciais e verifique se o bloqueio veio do próprio banco ou de uma ordem judicial.

Envie uma solicitação ao gerente, à ouvidoria e ao SAC. Peça:

Salve capturas do internet banking, mensagens de erro, e-mails, SMS e notificações do aplicativo. Registre também os prejuízos imediatos: folha de pagamento pendente, fornecedor que ameaça suspender entregas ou tributo prestes a vencer.

Solicite os extratos completos dos últimos 90 dias e o relatório das transações contestadas, com datas, valores e destinatários. Peça ainda cópia dos documentos usados para justificar o bloqueio, quando o banco puder fornecê-los.

Se o bloqueio também atingir o faturamento, veja o conteúdo sobre liberação de faturamento após bloqueio de conta PJ por suspeita de fraude.

Como organizar o caixa enquanto a conta permanece bloqueada

Reúna-se com o contador e projete o caixa dos próximos 7 a 30 dias. Liste salários, encargos, fornecedores sem os quais a operação para e tributos imediatos, como INSS, ICMS ou ISS.

Depois, separe as entradas previstas: contratos em andamento, notas fiscais emitidas, boletos a vencer e recebíveis já contratados. Um quadro simples, com datas e valores, ajuda a mostrar ao banco — e eventualmente ao juiz — que a empresa tem atividade e precisa de acesso a parte dos recursos.

Apresente uma proposta objetiva ao banco. Você pode pedir:

Em alguns casos, a empresa pode oferecer uma garantia específica, seguro-garantia ou depósito em conta vinculada. A alternativa precisa ser formalizada: o documento deve indicar valor retido, prazo, condições de liberação e responsabilidade de cada parte.

Não assine uma confissão de dívida ampla ou uma renegociação sem revisar o saldo, os juros, as tarifas e as garantias. Um documento assinado às pressas pode incluir encargos que ainda seriam discutidos na cobrança.

Quando o bloqueio veio de ordem judicial e envolve o SISBAJUD

Se a restrição surgiu em execução, cumprimento de sentença, processo trabalhista ou cobrança tributária, o desbloqueio deve ser pedido no processo. O SISBAJUD permite ao juízo bloquear e liberar valores, mas o banco não decide sozinho sobre uma ordem judicial.

O pedido de tutela de urgência precisa mostrar, com documentos, que:

Anexe extratos, folha de pagamento, guias de encargos, contratos com fornecedores, notas fiscais, pedidos em carteira e comprovantes de recebíveis. Um pedido possível é liberar parte do saldo ou da receita mensal para despesas comprovadas, mantendo a constrição sobre o excedente.

O juiz pode determinar liberações periódicas até certo limite ou restringir a penhora a créditos determinados. O prazo da decisão varia conforme a vara, a urgência demonstrada e a documentação apresentada; não trate 24 ou 72 horas como garantia.

O banco pode pedir a falência por causa do bloqueio?

O bloqueio administrativo de uma conta por suspeita de fraude, isoladamente, não transforma a empresa em falida. O pedido de falência depende dos requisitos previstos na legislação falimentar, como dívida líquida, certa e exigível, inadimplemento juridicamente relevante ou prática de atos que indiquem insolvência, conforme o caso.

A empresa deve demonstrar que o bloqueio nasceu de ato unilateral do banco ou de uma ordem judicial específica, e não de abandono das atividades ou fraude praticada pela administração. Contratos ativos, faturamento, folha paga e pagamentos recentes ajudam a provar a continuidade do negócio.

Separe:

Se houver pedido de falência, a empresa precisa apresentar defesa no prazo processual aplicável e contestar a exigibilidade da dívida, quando houver fundamento. Também pode discutir acordo, plano de pagamento ou outras medidas adequadas ao caso. Ignorar a citação é uma das piores decisões possíveis.

Como evitar que a crise vire penhora de faturamento

Transferir o dinheiro para a conta de sócios, familiares ou empresas relacionadas pode criar um problema maior. Movimentações sem contrato, nota, justificativa contábil e registro bancário podem ser usadas para alegar confusão patrimonial ou fraude contra credores.

Se for necessário direcionar recebimentos para outra conta, faça isso com orientação jurídica e documentação. Uma alternativa pode envolver conta vinculada, intermediador ou retenção de percentual definido, com prestação de contas e reserva para a dívida.

Em processo judicial, o advogado pode pedir que a receita seja utilizada nesta ordem:

Não esvazie contas nem venda bens às pressas. Cada transferência deve ter causa econômica comprovável, contrato quando necessário e lançamento contábil compatível.

Como contestar a suspeita de fraude com documentos

O banco precisa indicar qual movimentação considera irregular. A empresa, por sua vez, deve reconstruir o caminho do dinheiro: quem pagou, por qual contrato, para qual finalidade e com qual documento fiscal.

Separe:

Uma perícia contábil independente pode comparar faturamento, custos, saques, horários e destinatários das operações. Um relatório preliminar pode ajudar em um pedido urgente, mas o prazo depende do volume de documentos e da disponibilidade do profissional. Não apresente prazo de 7 a 14 dias como resultado garantido.

Fraudes praticadas por terceiros, como invasão de acesso ou golpe contra funcionário, precisam ser documentadas com boletim de ocorrência, registros de acesso e comunicações ao banco. O mesmo tipo de problema pode atingir pessoas físicas, como explicado no conteúdo sobre golpe do PIX com bloqueio injusto da conta.

Quando os sócios, avalistas e fiadores entram no risco

Revise os contratos de empréstimo, capital de giro, conta garantida, cheque especial PJ, cartão empresarial, aval, fiança, alienação fiduciária e confissão de dívida. O CPF de sócio ou administrador pode estar vinculado à operação por garantia contratual, sem que isso autorize automaticamente atingir todo o patrimônio pessoal.

Organize atos societários, procurações, autorizações de movimentação, contratos de mútuo entre sócio e empresa, registros contábeis e comprovantes de pró-labore. Esses documentos ajudam a separar as decisões empresariais do patrimônio individual.

Se houver execução contra avalista ou fiador, avalie substituição de garantia, parcelamento e indicação de bem específico. A estratégia depende do contrato e do estágio do processo; não transfira patrimônio depois de surgir uma cobrança sem análise jurídica.

Próximo passo para proteger a operação

Monte hoje uma pasta com extratos, contratos, folha, tributos, notas fiscais, protocolos do banco e cópias das garantias assinadas. Entregue o material ao advogado e ao contador para definir três medidas separadas: contestar o bloqueio, preservar o caixa dos próximos dias e negociar o passivo sem ampliar a responsabilidade dos sócios.

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Perguntas frequentes

Quanto tempo o banco pode manter a conta PJ bloqueada por suspeita de fraude?

Não há prazo fixo: o banco deve investigar, mas prazos concretos dependem da complexidade da apuração e de eventual ordem judicial. Por isso peça justificativa por escrito, prazo de análise e número de protocolo nas primeiras 24–48 horas.

Posso transferir o faturamento para a conta de um sócio para manter a operação?

Transferir sem documentação pode configurar confusão patrimonial e agravar a situação. Se for necessário, faça com orientação jurídica, contrato ou conta vinculada e registro contábil que comprove a operação.

O que devo anexar ao pedido de desbloqueio judicial via SISBAJUD?

Anexe extratos integrais, folha de pagamento, guias de encargos, contratos com fornecedores, notas fiscais e comprovantes de recebíveis que demonstrem necessidade imediata de liberação. Quanto mais documentação que comprove risco à continuidade, maior a chance de tutela de urgência.

O bloqueio administrativo da conta pode gerar pedido de falência?

Isoladamente, não: pedido de falência exige requisitos legais como dívida líquida e inadimplemento relevante. Contudo, mantenha balancetes, contratos e comprovantes de atividade para demonstrar continuidade e rebater alegações de insolvência.

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