Meu banco penhorou parte do faturamento da empresa sem aviso: o que fazer agora

Se uma ordem judicial reteve o dinheiro que sua empresa usa para pagar salários, fornecedores e tributos, procure o processo que originou o bloqueio e reúna os documentos no mesmo dia. A medida pode ser questionada, limitada ou substituída, mas o pedido precisa mostrar quanto entrou, quanto foi retido e quais despesas vencem nos próximos dias.

Não transfira o caixa para a conta de sócio, parente ou outra empresa sem orientação jurídica. Em uma execução, essa movimentação pode ser interpretada como tentativa de ocultar patrimônio.

O que conferir nas primeiras 24 horas

Identifique a origem e o valor do bloqueio

Baixe o extrato completo da conta empresarial e registre:

Salve o PDF e faça capturas de tela com data e horário. Se o banco informar que apenas cumpriu uma ordem judicial, peça a cópia da ordem e o número do processo por e-mail ou protocolo de atendimento.

Também confirme se houve apenas um bloqueio ou várias retenções. Às vezes, o valor atingido supera a dívida porque instituições diferentes cumprem a mesma ordem antes da liberação do excedente.

Formalize o contato com o banco

Envie mensagem ao gerente, abra atendimento no aplicativo e registre protocolo na central. Pergunte se a retenção decorre de:

Guarde e-mails, conversas e protocolos. Uma promessa verbal de que “o setor jurídico vai verificar” não comprova suspensão do bloqueio.

Calcule o caixa mínimo dos próximos sete dias

Monte uma planilha com os vencimentos imediatos: folha de pagamento, pró-labore, aluguel, energia, insumos, frete, fornecedores críticos e tributos. De outro lado, registre vendas, boletos, recebíveis de cartão e outros valores previstos.

Exemplo: uma empresa fatura R$ 200.000 por mês e teve R$ 60.000 retidos em um dia. Se precisa de R$ 45.000 para salários, R$ 15.000 para fornecedores e R$ 5.000 para energia e frete, o pedido judicial deve explicar que a retenção ameaça despesas de R$ 65.000 já identificadas.

Não basta afirmar que a empresa corre risco de parar. O juiz precisa enxergar o impacto em números.

Quais documentos ajudam a pedir o desbloqueio

Documentos empresariais e financeiros

Os extratos ajudam a demonstrar se a conta recebe faturamento recorrente ou valores que pertencem a terceiros. Uma clínica, por exemplo, pode receber pagamentos de pacientes e repassar parte dos honorários aos médicos. Uma agência pode receber valores destinados a fornecedores de mídia e produção.

Provas do excesso ou da irregularidade

Separe contratos com clientes, notas fiscais, comprovantes de repasse e documentos que mostrem a dependência daquele fluxo para executar serviços. Compare a dívida cobrada com o total já retido.

Se a empresa não foi intimada no processo, informe a data em que descobriu o bloqueio e junte as provas disponíveis. A ausência de intimação pode ser relevante, mas a consequência depende do processo e do ato praticado.

Localize também o contrato bancário, eventuais aditivos, confissões de dívida e documentos assinados por sócios como avalistas ou fiadores. A garantia pessoal pode abrir discussão sobre bloqueios no patrimônio dos sócios.

Quando o bloqueio veio pelo SISBAJUD, o procedimento tem relação com o desbloqueio de conta empresarial via SISBAJUD. A defesa deve concentrar-se na origem dos valores, no excesso e no prejuízo à operação.

Qual medida judicial pode ser apresentada

A providência depende da fase do caso. Entre as possibilidades estão:

O pedido pode buscar a liberação total, a redução do percentual, a restituição de valores retidos em excesso ou a substituição da garantia. A tese costuma combinar três pontos: a penhora atingiu o capital necessário à operação, outras formas menos gravosas não foram consideradas e a retenção causa dano imediato.

Penhora de faturamento não deve paralisar a empresa

A penhora de faturamento é diferente do bloqueio de um saldo isolado. Ela alcança o dinheiro que entra continuamente no negócio e, por isso, exige controle sobre o percentual e sobre a forma de pagamento.

Se a empresa tem margem líquida de 8% e sofre retenção de 30% do faturamento, a operação pode se tornar inviável mesmo com vendas crescentes. A defesa deve apresentar receitas, custos fixos, folha, tributos e margem real, não apenas o faturamento bruto.

Também pode ser proposta a penhora de percentual menor, como 10% ou 15%, desde que a empresa demonstre por que esse valor é suportável. Outra alternativa é uma conta vinculada, com pagamento documentado de salários, tributos e fornecedores essenciais antes do repasse do saldo ao credor.

Valores de terceiros e bloqueios acima da dívida

Recursos que a empresa apenas administra ou deve repassar podem exigir tratamento separado. Contratos, notas fiscais e comprovantes de transferência ajudam a mostrar essa origem.

Confira ainda se o total retido supera o valor atualizado da execução. Extratos de várias contas, cálculo do débito e comprovantes de bloqueios anteriores são úteis para pedir a liberação do excedente.

Como manter a operação enquanto o pedido é analisado

Converse com fornecedores que podem interromper a atividade, como quem entrega matéria-prima, combustível ou serviços de manutenção. Proponha prazo adicional de 7 a 15 dias e formalize a combinação por e-mail ou termo assinado.

Revise débitos automáticos, Pix agendados, boletos, assinaturas de softwares e campanhas de marketing. Suspenda apenas o que não comprometer contratos ou serviços essenciais. Registre cada alteração para manter controle do caixa.

Antecipação de recebíveis, factoring e crédito em outra instituição podem formar uma ponte temporária. Compare o custo efetivo total; captar R$ 50.000 a juros elevados para cobrir um bloqueio de curto prazo pode aumentar o passivo bancário.

Receber valores em outra conta pode manter pagamentos essenciais, mas a operação precisa corresponder à rotina comercial e ser documentada. O uso repentino de contas de sócios ou de empresas relacionadas pode gerar alegação de fraude à execução.

O que evitar nos primeiros sete dias

Se houver avalistas ou fiadores, levante todos os contratos e confissões de dívida. A defesa pode discutir a extensão da responsabilidade, a validade de garantias e a possibilidade de substituir ou alongar a dívida.

Plano de ação para os próximos sete dias

Dia 1

Dias 2 e 3

Dias 4 a 7

Comece pelo extrato, pelo processo e pela planilha de caixa. Com esses três documentos, o advogado consegue avaliar rapidamente se há excesso, falha de intimação, valores de terceiros ou espaço para limitar a penhora sem interromper a atividade.

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Perguntas frequentes

Quanto tempo leva para conseguir o desbloqueio judicial?

Depende da via escolhida e da urgência demonstrada: pedidos no próprio processo podem ter decisão em dias, enquanto ação autônoma com tutela de urgência varia conforme a carga do juízo. Fornecer extratos, prova de vencimentos iminentes e planilha de caixa aumenta a chance de decisão rápida.

Posso movimentar recursos para a conta de um sócio para pagar salários?

Não sem orientação jurídica: transferências a sócios ou empresas relacionadas podem ser interpretadas como tentativa de ocultar patrimônio e agravar a situação. O mais seguro é buscar liberação judicial ou acordo formal com credores.

Quando é possível reduzir o percentual de penhora do faturamento?

A redução é viável quando a empresa demonstra, com números, que o percentual atual compromete a operação — apresentando folha, tributos, custos e margem líquida. O juiz pode fixar percentual menor ou determinar conta vinculada para pagamentos essenciais.

O que diferencia bloqueio por SISBAJUD de penhora de faturamento tradicional?

O SISBAJUD é um meio eletrônico de bloqueio determinado pelo Judiciário, aplicado sobre saldos e movimentações; já a penhora de faturamento envolve retenção contínua de recebíveis. A defesa contra SISBAJUD costuma focar na origem dos valores e no excesso, enquanto na penhora de faturamento se discute percentual e viabilidade operacional.

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