Conta PJ bloqueada por suspeita de fraude: como tentar liberar parte do faturamento

Se o banco bloqueou a conta da sua empresa por suspeita de fraude, registre o problema imediatamente e peça a liberação parcial do dinheiro para despesas essenciais. O pedido deve indicar valor, finalidade e prazo: salários, tributos e fornecedores indispensáveis ao funcionamento da empresa.

Não dependa apenas do gerente. Envie e-mail ao gerente e aos canais oficiais do banco, como ouvidoria ou compliance, e guarde o protocolo, a data, o horário e o nome de cada atendente.

Um pedido objetivo pode ser: “Solicito a liberação de até R$ 50.000,00 dos recebíveis já creditados na conta PJ, exclusivamente para pagamento de folha, tributos e fornecedores essenciais, até o encerramento da apuração interna”.

Quais documentos comprovam a origem dos valores bloqueados

O banco costuma alegar que a movimentação fugiu do padrão ou pode estar ligada a fraude. A empresa precisa mostrar a origem de cada entrada com documentos que se relacionem entre si.

Organize os documentos em uma tabela simples. Ao lado de cada crédito, indique a referência: “PIX de R$ 8.500,00 — pagamento da NF 123 — Cliente Alfa”. Isso reduz o trabalho de conferência e evita que o banco trate todos os valores como movimentação sem explicação.

Quando um cliente afirma ter sido vítima de golpe

Se o bloqueio começou depois de uma reclamação de cliente, reúna o boletim de ocorrência, as mensagens trocadas, o comprovante de pagamento e a prova de entrega do produto ou realização do serviço.

Em um golpe do PIX, por exemplo, o cliente pode ter feito o pagamento após conversar com um terceiro que se passou pela empresa. Nesse caso, contratos, nota fiscal, ordem de serviço e registros de atendimento ajudam a demonstrar o que a empresa efetivamente vendeu ou prestou.

A situação se relaciona ao tema tratado em bloqueio após golpe do PIX e quando é possível travar cobranças, mas aqui a preocupação imediata é preservar o caixa da pessoa jurídica.

Como pedir ao banco uma movimentação limitada

Você pode propor que o banco mantenha o monitoramento, mas libere os valores necessários para despesas identificadas. A proposta precisa ser proporcional e documentada.

Também pode ser discutida a liberação de 30% a 50% das entradas diárias, conforme o risco e a documentação apresentada. Se a empresa movimenta R$ 200.000,00 por mês, por exemplo, o banco pode ser instado a liberar até R$ 100.000,00 para despesas comprovadas, mantendo o restante sob análise.

Garantias podem fazer parte da negociação, como cessão fiduciária de duplicatas, boletos ou contratos. Caução de veículo ou aplicação financeira também pode ser considerada, mas qualquer documento deve ser revisado antes da assinatura.

Quando procurar o Judiciário para liberar parte do faturamento

Se o banco não responder em 48 a 72 horas, negar uma liberação mínima ou mantiver o bloqueio sem explicar os critérios utilizados, avalie o ajuizamento de ação com pedido de tutela de urgência.

A urgência fica mais demonstrável quando há folha de pagamento próxima, guias de INSS, FGTS, ICMS, ISS ou Simples com vencimento iminente, aluguel em atraso ou risco de interrupção de matéria-prima, energia e outros serviços essenciais.

O pedido pode ser limitado às despesas comprovadas. Em vez de solicitar todo o saldo, a empresa pode requerer, por exemplo, R$ 80.000,00 para pagar a folha, tributos e três fornecedores já identificados.

O que pode ser pedido na tutela

A petição deve ser acompanhada dos e-mails e protocolos, extratos, notas fiscais, contratos, folha de pagamento, guias tributárias, fluxo de caixa e boletim de ocorrência, se houver fraude praticada por terceiro.

O prazo de análise de uma liminar varia conforme o tribunal, a vara e a urgência demonstrada. Custas também variam de tribunal para tribunal e podem chegar perto de R$ 1.000,00, conforme o valor da causa. A empresa que não consegue pagar as despesas do processo pode avaliar pedido de justiça gratuita, desde que apresente documentos sobre sua incapacidade momentânea.

Como proteger a empresa contra protesto, execução e penhora de faturamento

O bloqueio bancário pode impedir pagamentos e provocar protestos ou execuções. Separe o caixa liberado por prioridade: primeiro salários e verbas trabalhistas; depois tributos com vencimento próximo; na sequência, fornecedores sem os quais a operação para.

Se já houver execução, protesto ou ameaça de penhora de faturamento, a defesa deve ser analisada em paralelo. O juiz pode avaliar medidas menos gravosas quando a penhora comprometer a atividade, mas a empresa precisa apresentar números, contratos e despesas reais.

Não transfira dinheiro para contas de sócios ou de terceiros sem orientação. Uma movimentação desse tipo pode ser interpretada como tentativa de ocultação patrimonial, especialmente quando o banco já investiga a conta.

Sócios, avalistas e fiadores

O bloqueio da conta PJ também pode ser acompanhado de cobrança contra sócios, avalistas ou fiadores de contratos de capital de giro, conta garantida, cheque especial empresarial e cartão corporativo.

Esse exame pode envolver a situação descrita em responsabilidade de sócios e avalistas em caso de crise.

Checklist para enviar ao banco ou ao advogado

Modelo de e-mail ao banco

“Prezados,

Em XX/XX/XXXX, a conta corrente PJ nº XXXX, vinculada ao CNPJ XX.XXX.XXX/0001-XX, foi bloqueada por ‘suspeita de fraude’. A empresa está em atividade regular, possui XX funcionários e faturamento médio mensal de R$ XXX.XXX,XX.

Solicito a liberação parcial de até R$ XX.XXX,XX dos recebíveis já creditados e a creditar, exclusivamente para pagamento de folha, tributos e fornecedores essenciais, conforme documentos anexos.

Peço confirmação de recebimento, número de protocolo e resposta em até 48 horas. A manutenção do bloqueio integral poderá impedir o pagamento de salários e a continuidade das atividades.

Atenciosamente,
Nome / Cargo / Contatos”

Envie a documentação completa, preserve os comprovantes de envio e procure orientação jurídica se o banco não apresentar resposta concreta dentro do prazo solicitado. A negociação administrativa e a preparação da tutela de urgência devem ocorrer em paralelo, sem esperar que o caixa da empresa chegue ao limite.

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Perguntas frequentes

Quanto tempo o banco costuma levar para responder ao pedido de liberação parcial?

O banco deve responder pelos canais oficiais; recomenda-se pedir resposta em 48 a 72 horas. Se não houver resposta nesse prazo, é comum preparar ação judicial com pedido de tutela de urgência.

Quais documentos são essenciais para comprovar a origem dos créditos?

Extratos dos últimos 30 a 90 dias, notas fiscais vinculadas a cada crédito, contratos com clientes e comprovantes de PIX/TED/boletos. Indique ao lado de cada crédito a referência (ex.: NF, cliente) para facilitar a análise.

É possível obter apenas pagamentos específicos liberados, como salários e tributos?

Sim. Pode-se solicitar liberação limitada para folha, guias tributárias e fornecedores essenciais, direta na conta ou mediante pagamento condicionado a apresentação de notas fiscais. A tutela de urgência judicial costuma aceitar pedidos pontuais quando há risco à continuidade da empresa.

Que cuidados tomar para não agravar a investigação bancária?

Evite transferir valores para contas de sócios ou terceiros sem orientação, pois pode ser interpretado como tentativa de ocultação. Preserve protocolos, envie documentação pelos canais oficiais e não assine garantias sem revisão jurídica.

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