O banco cobrou, executou ou bloqueou a sua conta e você quer entender o que a lei permite?
Falar com Dr. Sérgio no WhatsAppPosso liberar apenas parte do saldo bloqueado por suspeita de fraude no Pix?
Sim. Você pode pedir judicialmente o desbloqueio parcial da conta, indicando o valor exato necessário para despesas urgentes e aceitando que o saldo restante continue bloqueado durante a apuração.
Um exemplo: uma empresa tem R$ 80 mil retidos após receber um Pix de terceiro, mas precisa de R$ 25 mil para pagar salários e aluguel. Em vez de pedir todo o saldo, pode requerer a liberação dos R$ 25 mil, comprovando cada despesa.
O pedido costuma ser mais convincente quando demonstra:
- qual pagamento não pode esperar, como folha salarial, aluguel, tributos ou fornecedores;
- o prejuízo concreto causado pela demora, como protesto, corte de fornecimento ou paralisação da atividade;
- que você recebeu o Pix de boa-fé e não participou da fraude;
- que o valor solicitado corresponde às despesas comprovadas.
O juiz pode conceder tutela de urgência antes de ouvir o banco. A análise pode ocorrer em 24 a 72 horas após a distribuição, mas não existe prazo garantido. Depois da decisão, a ordem enviada pelo SISBAJUD depende do processamento do juízo e do banco, que pode ocorrer em até 24 horas úteis após o recebimento.
Quais documentos aumentam a chance de desbloqueio?
O pedido precisa permitir que o juiz entenda rapidamente o que aconteceu, quanto foi bloqueado e por que parte do dinheiro deve ser liberada. Documentos soltos, sem explicação, dificultam essa análise.
Extratos e dados do Pix
- Extrato completo da conta, com a data e a descrição do bloqueio ou da retenção;
- comprovante do Pix, contendo data, horário, valor, identificador da transação e nome ou CPF/CNPJ do remetente;
- extratos dos últimos 3 a 6 meses, quando disponíveis, para mostrar o padrão normal de movimentação;
- documento do banco informando a restrição, se houver.
Se o crédito foi de R$ 18 mil e a conta normalmente recebe valores entre R$ 15 mil e R$ 30 mil, os extratos ajudam a demonstrar compatibilidade com a atividade. Se o montante fugir completamente do padrão, será necessário explicar a origem com documentos específicos.
Provas da despesa urgente
- folha de pagamento com nomes, salários e datas de vencimento;
- notas fiscais e boletos de fornecedores;
- contrato de aluguel e aviso de vencimento;
- guias de tributos, contas de energia e água;
- notificações sobre protesto, suspensão de fornecimento ou rescisão contratual;
- contratos que indiquem prazo para pagamento ou risco de perda do negócio.
Não basta informar que o dinheiro será usado para “manter a empresa funcionando”. É melhor apresentar, por exemplo, uma folha de R$ 19.400 com vencimento em 5 de abril, uma guia de aluguel de R$ 4.800 e três notas fiscais que totalizam R$ 800.
Provas da boa-fé
- contrato, nota fiscal ou conversa que explique por que você recebeu aquele Pix;
- documentos pessoais ou contrato social da empresa;
- comprovantes de renda ou faturamento;
- boletim de ocorrência, quando você também foi vítima do golpe;
- histórico que demonstre não ter havido repasse imediato a pessoas suspeitas.
O boletim de ocorrência ajuda, mas não substitui a prova da origem do dinheiro nem dos pagamentos urgentes.
O que fazer antes de entrar com a ação?
Registre uma reclamação formal no banco, mesmo que a resposta demore. O protocolo demonstra a data do bloqueio, o conteúdo do pedido e a tentativa de solução administrativa.
Uma solicitação objetiva pode dizer:
“Eu, [NOME COMPLETO], CPF [XXX], titular da conta [AGÊNCIA/CONTA], requer o desbloqueio parcial de R$ [VALOR], retido após o recebimento do Pix de [DATA], identificação [NÚMERO]. O valor será utilizado para pagamento de [salários, aluguel, fornecedores ou tributos], conforme documentos anexos. Solicito resposta por escrito, diante do vencimento em [DATA].”
Guarde o número do protocolo, os e-mails e as respostas recebidas. Se o banco informar apenas que o caso “está em análise”, salve essa mensagem.
Ouvidoria, Banco Central e reclamações
A ouvidoria pode ser acionada depois do SAC ou do primeiro atendimento. O prazo de resposta pode chegar a 30 dias, período incompatível com uma folha que vence em três dias, mas o registro pode ser útil no processo.
Também é possível reclamar no Banco Central e no Reclame Aqui. Nenhum deles substitui a decisão judicial nem garante liberação imediata, mas os protocolos ajudam a documentar a conduta do banco.
Se o aluguel vence amanhã, os funcionários serão pagos em três dias e o banco não oferece prazo de solução, não faz sentido aguardar toda a tramitação administrativa. Nesse caso, a ação pode ser ajuizada com pedido de tutela de urgência.
Como funciona a ação para desbloqueio parcial via SISBAJUD?
A petição deve contar os fatos em ordem: recebimento do Pix, bloqueio, contato com o banco, vencimento das despesas e prejuízo previsto. O pedido precisa indicar o valor exato que deve ser liberado.
Um requerimento adequado pode pedir:
- desbloqueio de R$ 32.480,00, por exemplo, para despesas discriminadas nos documentos;
- manutenção do bloqueio sobre o saldo restante;
- expedição de ordem ao banco pelo SISBAJUD;
- apresentação, pelo banco, das informações disponíveis sobre a apuração;
- confirmação da medida ao final do processo, caso reconhecida a irregularidade do bloqueio.
A tutela de urgência depende da demonstração da probabilidade do direito e do perigo de dano. Na prática, você precisa mostrar indícios de que não participou da fraude e risco concreto de prejuízo se o dinheiro continuar indisponível.
Informações necessárias para a ordem judicial
- nome completo ou razão social do titular;
- CPF ou CNPJ;
- instituição financeira, agência e número da conta;
- tipo de conta, quando conhecido;
- data, horário, valor e identificador do Pix relacionado ao bloqueio;
- CNPJ do banco, se disponível.
Quanto mais precisos forem os dados, menor o risco de a ordem retornar sem cumprimento ou exigir nova manifestação.
O banco pode manter o bloqueio total?
O banco provavelmente alegará que precisa adotar medidas de segurança e investigar a origem do dinheiro. A resposta não deve negar o direito de apuração. O ponto é mostrar que a investigação pode continuar enquanto uma parcela comprovadamente necessária é liberada.
Se o saldo é de R$ 80 mil e as despesas urgentes somam R$ 25 mil, o pedido proporcional é pela liberação dos R$ 25 mil, com retenção dos R$ 55 mil restantes. Essa divisão reduz o risco para a instituição e evita que o bloqueio paralise a vida financeira do cliente.
O banco também pode pedir prazo para apresentar documentos ou realizar diligências. A discussão sobre a responsabilidade final pode prosseguir, mas salários vencendo em poucos dias e contas essenciais não aguardam uma investigação sem data definida.
Se a instituição afirmar que você participou do golpe, apresente o contrato ou a negociação que originou o Pix, o histórico da relação com o pagador, o boletim de ocorrência e os comprovantes de que o dinheiro não foi transferido para terceiros suspeitos.
O que fazer depois do desbloqueio?
Use o dinheiro exatamente para a finalidade informada ao juiz. Pague os salários, fornecedores ou contas indicados e guarde comprovantes de cada operação.
Se houver recurso do banco ou pedido de esclarecimentos, esses documentos mostram que o valor foi aplicado conforme a decisão. Também podem evitar nova discussão sobre o uso do dinheiro.
Negocie prazos com fornecedores e peça parcelamento quando possível. Se a empresa já enfrenta protestos, execuções ou risco de penhora de faturamento, avalie uma estratégia mais ampla de proteção do caixa e revisão do endividamento bancário.
Depois do caso, revise os procedimentos de recebimento por Pix, crie dupla conferência para valores elevados e mantenha documentos que expliquem a origem de cada crédito relevante.
Se a conta é empresarial, veja também as medidas aplicáveis ao desbloqueio de conta PJ via SISBAJUD. O próximo passo é separar o extrato, o comprovante do Pix, os protocolos do banco e a lista das despesas com vencimento próximo. Com esse material, o advogado poderá definir o valor do pedido e a medida judicial adequada.
Acompanhe e fale com a gente: INSTAGRAM
Perguntas frequentes
Posso pedir desbloqueio parcial de conta pessoa física e jurídica?
Sim. Tanto pessoa física quanto jurídica podem requerer desbloqueio parcial indicando valores e comprovantes das despesas urgentes. A diferença prática está na documentação: empresas devem apresentar folha de pagamento, notas fiscais e contrato social.
O banco pode se recusar e manter o bloqueio total até o fim da investigação?
O banco costuma alegar necessidade de investigação, mas a recusa não impede o juízo de determinar desbloqueio parcial. O pedido judicial fundamentado em risco concreto e prova de boa-fé costuma ser acolhido em tutela de urgência.
Quanto tempo leva para o juiz decidir e o SISBAJUD desbloquear o valor?
Decisões liminares podem sair em 24 a 72 horas, dependendo da vara e da carga do juízo. Após a decisão, a ordem via SISBAJUD é encaminhada e o processamento pelo banco pode levar até 24 horas úteis.
Quais comprovantes aumentam as chances de sucesso no pedido?
Extratos com o crédito do PIX, comprovante da transação, folha de pagamento, boletos, contratos e boletim de ocorrência. Protocolos de contato com o banco e histórico de movimentação também fortalecem a argumentação.